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«A concretização do princípio do “só uma vez” seria um sonho»
7 September 2026
Conecta7set
Bastonária participou em conferência organizada pelo Ministério da Segurança Social e pelo seu Instituto de Informática


A bastonária participou, na tarde de 7 de setembro, no Centro de Congressos de Lisboa, no painel «Ecossistemas de dados conectados», inserido na conferência «Social Conecta – Primeiro Pessoas», evento promovido pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e pelo seu Instituto de Informática (IISS).

Após ter elogiado o «trabalho conjunto muito positivo» que a Ordem tem desenvolvido em estreita colaboração com o IISS, Paula Franco defendeu que é imperioso que a Segurança Social «divulgue para o exterior a informação do que está a ser feito para que esta chegue a quem utilize as funcionalidades.» A responsável máxima da OCC referiu que «Portugal é um país ainda muito burocrático no que exige diariamente aos cidadãos e às empresas», mas ressalvou que «simplificar não significar deixar de ser exigente, significa chegar a um objetivo. O paradigma está a mudar e tenho uma expetativa enorme, nomeadamente, quanto à Carteira Digital e à centralização dos dados.»

Para a bastonária, com a centralização de dados e o acesso único «atingiremos uma realidade diferente e as empresas poderão focar-se no que traz verdadeiramente valor acrescentado.» Ainda sobre o mesmo tema, Paula Franco advogou que a central de dados comum deve permitir a autorização de acesso à informação (disponível na Carteira digital ou noutra plataforma) não apenas ao responsável da empresa, mas a outros profissionais, como o contabilista certificado. Ainda assim, admitiu dificuldades: «A relação entre as empresas e a Segurança Social está a mudar, mas é normal que em novos processos o primeiro embate gere sempre alguns problemas.»

Cumprir obrigações declarativas até março

Para finalizar, e questionada sobre um objetivo no curto prazo, a bastonária declarou que «ver concretizado o princípio do “só uma vez” seria um sonho, com impacto tremendo no Estado, nas empresas e nas pessoas», em particular também nos contabilistas certificados, que se focariam, de uma vez por todas, em fazerem uma boa análise e em acompanharem as empresas e a cumprirem tudo o mais atempadamente possível, em vez de passarem o tempo a resolverem redundâncias. A bastonária admitiu que esta transformação – em que os cidadãos e as empresas deixam de ter de entregar repetidamente à Administração Pública documentos ou dados que o Estado já tem na sua posse - seria fundamental para que fosse possível cumprir as obrigações declarativas anuais até ao mês de março, até porque, sustentou, «andar com dois exercícios em simultâneo não aproveita a ninguém».

No painel, moderado pela jornalista da SIC-Notícias, Marta Atalaya, participaram ainda Manuel Dias, Diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação da Administração Pública, Luís Farrajota, Presidente do Instituto de Informática da Segurança Social, Luís Goes Pinheiro, Presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e Pedro Corte Real, Presidente do Instituto da Segurança Social.

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