Paula Franco participou, na manhã de 24 de abril, na conferência «ECO Açores», uma iniciativa organizada pelo jornal ECO que decorreu no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. A bastonária foi uma das oradoras, tendo feito parte do primeiro painel dedicado a analisar as finanças regionais e a sustentabilidade orçamental. Ao seu lado estiveram Duarte Freitas, secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública do Governo Regional dos Açores e Ricardo Cabral, professor no ISEG.
Paula Franco, que recordou uma região muito diferente da atual, com os voos entre as diferentes ilhas a operarem, muitas vezes, quase sem passageiros, vê hoje uma economia mais dinâmica, muito impulsionada pelo turismo, mas que enfrenta o desafio da diversificação e da captação de investimento. A bastonária não tem dúvidas de que a fiscalidade pode ser uma vantagem competitiva, desde que seja bem comunicada: «Atualmente 13,3 por cento em IRC em 2026, com a perspetiva de chegar aos 11,9 por cento em 2028, é uma vantagem económica muito grande para muitas empresas. Mas é preciso saber vender esta realidade. Lá fora não se sabe isto», afirmou.
A bastonária defendeu ainda que os Açores podem transformar a insularidade numa oportunidade, através da atração de empresas, sedes fiscais, trabalho remoto e nómadas digitais, a exemplo do que acontece na Madeira. Mas, para que tal suceda, será importante que a região autónoma reduza a dependência do Estado. «As empresas devem estar focadas no seu próprio crescimento e na criação de riqueza, sem depender tanto do Estado», salientou.
Para além do debate sobre finanças públicas, setores estratégicos e desafios estruturais que marcam o futuro dos Açores, foram ainda abordados temas como o desenvolvimento económico regional e a coesão territorial, o turismo, o mar, a agricultura e a mobilidade.
Esta iniciativa teve assim o condão de reunir decisores públicos, desde logo com a presença de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, gestores e especialistas que, ao longo de cerca de quatro horas, apresentaram visões e opiniões distintas sobre os caminhos que o arquipélago deve seguir em termos de desenvolvimento económico e social.
Créditos das fotos: Leandro Duarte