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«Estamos aqui para antecipar eventuais problemas e evitar litigâncias desnecessárias»
27 Janeiro 2026
BastonariaAR
Bastonária em audição parlamentar sobre o pacote fiscal para a habitação.


A bastonária Paula Franco foi ouvida na tarde de 27 de janeiro na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta de lei n.º 47/XVII/1.ª, que autoriza o governo a aprovar medidas de desagravamento fiscal para o fomento de oferta de habitação. 

Na sua intervenção, a bastonária defendeu que os problemas que afetam este setor «exigem medidas rápidas e transversais», tendo alertado para «riscos técnicos» na proposta de lei do governo, nomeadamente no que à aplicação do IVA a 6 por cento nas obras diz respeito. A entrevista que concedeu ao «Jornal de Negócios», em que declarou que este imposto nas obras a 6 por cento arrisca a ser «impraticável» dominou boa parte das perguntas dos deputados. «Um contabilista certificado não vai aplicar a taxa de IVA a 6 por cento sem conseguir antecipar a condição futura da taxa a aplicar», referiu. Uma das sugestões apresentadas pela responsável máxima da Ordem aos deputados foi a retirada das penalidades em caso de necessidade de correção posterior. 

Por outro lado, a isenção de tributação das mais-valias para quem reinvestir em habitação a valores moderados no período de cinco anos, medida constante na proposta do governo, mereceu elogios por parte da bastonária. «Precisamos de normas imediatas e esta medida que o governo apresenta, a juntar à da mesma natureza que o PS apresenta no seu projeto de lei, admito que possam ter um efeito imediato ao nível da oferta da habitação. Defendemos mesmo que seja retroativa a 2025.» 
 


«Sejam céleres na resolução deste dossiê!»

Do lado das sugestões apresentadas pela Ordem, Paula Franco destacou ainda a não tributação das mais-valias na transmissão de imóveis destinados a habitação durante um período temporal de dois anos para «pressionar» as cerca de 250 mil casas paradas a virem para o mercado. 

Para concluir deixou um apelo aos vários grupos parlamentares representados na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública: «Independentemente de qual seja o resultado final, sejam céleres na resolução deste dossiê! Os operadores económicos estão condicionados por esta medida».  Enquanto isso, da parte da Ordem ficou a garantia: «Estamos aqui para antecipar eventuais problemas e evitar litigâncias desnecessárias antes mesmo delas acontecerem, em prol da segurança dos operadores económicos.»

Hugo Carneiro e Pedro Coelho usaram da palavra em representação do PSD, Eduardo Teixeira e Paulo Seco protagonizaram intervenções em nome do CHEGA, Miguel Costa Matos formulou questões pelo PS, Marta Von Fridden representou a Iniciativa Liberal e Paulo Núncio foi o deputado que representou o CDS.

O pacote fiscal para a habitação proposto pelo governo à Assembleia da República, foi aprovado a 9 de janeiro na generalidade, estando agora a ser debatido em sede de comissão.