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«As contas ainda são pouco usadas para tomar as melhores decisões»
22 Outubro 2026
iapppp
Bastonária participou em «webinar» promovido pelo IAPMEI.

Paula Franco participou, na manhã de 22 de outubro, no webinar «Planeamento fiscal para PME: O que ainda pode fazer antes do fecho do ano», uma iniciativa do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação), em parceria com o Turismo de Portugal e o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, no âmbito do Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF). «A checklist que todos os gestores deveriam utilizar antes do fecho do exercício» foi o tema da intervenção da bastonária. Benefícios fiscais, tributações autónomas, gastos empresariais, gratificações e prémios, reconciliação de saldos, relações sócios-sociedade, nível de risco fiscal e uso preditivo das contas, foram oito tópicos que mereceram a minuciosa análise da responsável máxima da instituição, numa intervenção eminentemente prática que se debruçou, sobretudo, na relação entre o contabilista certificado e as empresas, na perspetiva de «acautelar problemas e antecipar riscos.» Paula Franco identificou a importância dos riscos fiscais do negócio como o elemento-chave desta checklist.

 

Previsão e oportunidade

 

Sobre o porquê de planear o fecho, argumentou com a necessidade de «escolhas atempadas e de um planeamento para evitar riscos fiscais e contabilísticos.» A cerca de 70 dias do fim do exercício, uma das questões recorrentes que os contabilistas certificados ouvem dos seus clientes é a seguinte: «O que é que eu posso fazer para pagar menos impostos?» 
Como resposta a esta pergunta, a bastonária defendeu uma «análise ponderada e muito equilibrada entre gestor e contabilista certificado e, em caso de se decidir recorrer a investimentos, estes devem ser absolutamente necessários para a empresa». Relativamente aos benefícios fiscais, Paula Franco justificou que «representam uma oportunidade, que também comporta riscos e que devem ser utilizados não para pagar menos impostos, mas por uma questão de previsão e oportunidade.»

 

Cada documento corresponde a um imposto

 

Escalpelizando diversas dimensões das tributações autónomas e dos benefícios fiscais, a bastonária referiu que o Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI) apresenta «riscos e imprevisibilidade», enquanto o ICE (Incentivo à Capitalização das Empresas) tem menos riscos, mas está «sujeito a saídas que podem anular os benefícios.» 
Paula Franco identificou ainda a dedução fiscal de gastos empresariais como um «aspeto crítico» na relação entre o empresário e o contabilista certificado, na medida em que cada despesa deve estar identificada e qualificada. «O foco está nos documentos de suporte que contextualizam a natureza e a razão de cada gasto. Despesas semelhantes, podem ter tratamento fiscais muito diferentes», acrescentou. Despesas promocionais, deslocação e estada, despesas de representação, ajudas de custo e quilómetros em viatura própria, foram situações específicas apresentadas pela bastonária da OCC, em que cada documento corresponde a um imposto.

 

IA e a qualidade da análise das contas

 

Na observação final, a oradora afirmou que «gestores, empresários e os próprios colaboradores das empresas precisam de possuir informação, conhecimento e literacia financeira, que vai muito para além de ter um contabilista certificado a colaborar consigo. Todos os dias é preciso ter noções sobre estas temáticas e ministrar uma formação básica, igualmente para todos, de forma recorrente. É por isso que considero que este é um trabalho conjunto. Alguns empresários reconhecem não saber distinguir uma fatura e um recibo, justificando que estão focados no seu negócio. Até se compreende, de alguma forma, mas importa não esquecer que é desta atitude que pode significar pagar mais ou menos impostos.» 
A bastonária não terminaria sem apelar a uma «utilização preditiva dos resultados para apoiar a gestão», no sentido de contrariar a prática, ainda muito comum, de «as contas ainda serem pouco usadas para tomar as melhores decisões.» Sobre a inteligência artificial (IA), acredita que as ferramentas dela surgidas «podem potenciar a qualidade da análise das contas.»