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«Continuem a trabalhar com exigência e sentido de missão!»
22 Setembro 2026
CongressoDia1-2
Presidente da República considerou que, agora, mais do que nunca, profissão «deve ter o merecido reconhecimento público.»


O Presidente da República defendeu que o Estado deve ser um aliado dos contabilistas, garantindo estabilidade na legislação fiscal, celeridade na justiça, menos burocracia e mais modernização de procedimentos. O chefe de Estado discursou no jantar de abertura do 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados, em Lisboa. António José Seguro considerou que, para estes profissionais estarem mais libertos de tarefas repetitivas e para se poderem focar no crescimento dos seus clientes, «é necessário também ter no Estado um aliado, designadamente ao garantir estabilidade na legislação fiscal, permitindo que as mudanças operadas, ainda que incontornáveis, possam ser planeadas, preparadas e debatidas com tempo suficiente para serem executadas sem percalços». 

«Um aliado na celeridade na tomada de decisões administrativas e judiciais e, finalmente, um aliado na redução da burocracia, simplificação e modernização de procedimentos», defendeu, afirmando que «só assim as ferramentas informáticas poderão ter um verdadeiro impacto na prestação» do novo modelo de contabilista. 

«Nenhum sistema substitui o julgamento profissional»

Sobre o impacto da Inteligência Artificial, o Presidente partilhou uma visão muito vincada: «No meu entender, nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui o julgamento profissional, a independência de espírito e a integridade que sempre distinguiram o contabilista certificado. Nenhum algoritmo assume responsabilidade, a responsabilidade ética pertence e continuará a pertencer ao ser humano, a capacidade de gerir dilemas éticos com serenidade, de comunicar com empatia, de resistir a pressões indevidas, de manter a lucidez em contextos de grande complexidade, tudo isso é hoje tão relevante quanto o domínio técnico das normas e dos sistemas», apontou.

Um profissional «discreto, mas indispensável»

O mais alto dignitário do país empreendeu, seguidamente, uma viagem pela História e pelo caminho percorrido pela profissão, «sempre ligada aos grandes momentos da vida portuguesa.»  Desde 1759, com a Aula do Comércio e a criação da profissão de guarda-livros necessário para reconstruir a economia nacional depois do terramoto, passando pelas reformas fiscais do século XX, até ao presente com a reforma da administração pública em curso que pretende simplificar a relação entre o Estado e as empresas. «Em todos estes momentos o contabilista certificado esteve presente, de forma discreta, mas indispensável, ao lado de quem decide». 

O Presidente da República não concluiria a sua intervenção sem definir a Ordem «como uma das maiores associações públicas profissionais do país» e realçando esta profissão pela sua capacidade de reinvenção, «nunca abdicando do rigor e da informação fidedigna.» Os últimos 8 anos de Paula Franco como bastonária da OCC também mereceram uma nota do Chefe de Estado: «Tem sido uma liderança essencial pela forma como a sociedade encara a profissão, nomeadamente através de uma Ordem forte, exigente e atenta ao seu tempo.» No momento de «transformação acelerada que atravessamos», António José Seguro considerou que agora, mais do que nunca, esta profissão «deve ter o merecido reconhecimento público.» «Continuem a trabalhar com exigência e sentido de missão!», exortou.

Discurso integral do Presidente da República


«A confiança não se decreta, constrói-se através de conhecimento, ética e responsabilidade profissional»
Intervenção da bastonária no início do 8.º Congresso

«Um tempo de encontro», foi desta forma que a bastonária definiu a importância do 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados, que conheceu o seu arranque ao início da noite de terça-feira, 22 de setembro de 2026, com um jantar de gala, antecedido pelas intervenções institucionais da anfitriã do evento e do Presidente da República. «Este é também um tempo de reflexão, em primeiro lugar sobre as responsabilidades que assumimos e sobre o que queremos ser no futuro, bem como qual o papel de uma Ordem profissional e dos seus profissionais numa sociedade em profunda transformação», acrescentou. 

Sublinhando que os 72 386 profissionais, inscritos na Ordem, trabalham ao lado dos cidadãos, das empresas e do Estado, a responsável máxima da OCC, referiu ainda que a «regulação profissional é uma missão de interesse público.»

O fator responsabilidade prevalecer

O papel da alteração estatutária na atração de novos profissionais também não foi esquecido na intervenção de Paula Franco: «Ao repensar o acesso à profissão concluímos que a exigência não é incompatível com a abertura que foi proporcionada. De mil novos candidatos que tínhamos, passámos para cinco mil por ano. O que constatamos é que os jovens estão a olhar para a contabilidade como uma profissão de futuro e que o rejuvenescimento da nossa classe profissional está em curso, pelo que temos de preparar e qualificar esta geração para os novos desafios.» 

O impacto da tecnologia na profissão, nomeadamente a inteligência artificial, também fez parte da intervenção de Paula Franco: «A IA já está a mudar o perfil do profissional, mas não vem para nos substituir, vem para nos ajudar a sermos melhores. Algumas tarefas serão automatizadas, mas outras serão simplificadas e novas oportunidades surgirão.» Sem se deter, afirmou ainda que algumas tarefas podem ser substituídas, mas o fator responsabilidade prevalecerá.

Olhando rumo ao futuro, a bastonária afirmou que os profissionais «para além da perspetiva singular que têm sobre o funcionamento e também sobre o que não funciona no país», assumem-se como um «verdadeiro ativo» na economia portuguesa. Confiante que a Ordem e os seus profissionais estão «preparados para a mudança», Paula Franco identificou o «conhecimento técnico e a experiência profissional ao serviço das melhores decisões públicas» como caraterísticas ímpares que fazem desta uma profissão associada ao valor da «confiança». «A confiança não se decreta, constrói-se através de conhecimento, competência, ética e responsabilidade de cada profissional», rematou.

Miguel Araújo: o músico que quase foi gestor

 

Depois dos discursos, depois da aparição futurista do robô-humanoide Afonso, depois do jantar de gala, depois de muita conversa e sorrisos sem fim, do espetáculo de luz, som e cor que encheu a arena da Meo… Arena, o primeiro dia do 8.º Congresso terminou com um espetáculo intimista de Miguel Araújo, o músico que, confessou ele a uma plateia maioritariamente de contabilistas, estudou Gestão no ensino superior, mas não morreu de amores por disciplinas como Contabilidade ou Contabilidade Financeira. De tal forma que o seu «futuro foi aquilo que se viu», se quisermos usar o verso de Fernando Tordo em «Adeus tristeza».

 

O cantautor portuense, ao longo de cerca de uma hora, brindou os cerca de 1 300 convivas com um alinhamento de 12 músicas, onde incluiu alguns dos seus grandes sucessos, como «Os maridos das outras», «Anda comigo ver os aviões» ou ainda «Pica do 7», êxito conhecido na voz de António Zambujo mas escrito e composto na íntegra por Miguel Araújo.

 

Porque este foi o dia em que se ficou a saber do desaparecimento de Jorge Palma, um dos grandes vultos da música portuguesa, Miguel Araújo sabe bem que, inter pares, nada melhor do que eternizar um músico… cantando as suas criações. «Bairro do amor» foi, pois, escutada em jeito de sentida homenagem. Porque «No bairro do amor a vida é um carrossel/Onde há sempre lugar para mais alguém.»